sábado, 15 de outubro de 2011

NaNoWriMo 2011


NaNoWriMo (National Novel Writing Month) 2011 está a chegar! Em cima encontra-se a capa para a minha nano-novel deste ano e o resumo em inglês, tal como está no site do NaNoWriMo:

Catherine Richards, a British 18 year old girl, is utterly upset. She is forced to spend the summer holidays at her family cottage in Scotland. She remembered loving that place, at the age of 7...
While exploring the countryside, Catherine falls into a lake and is rescued by a young man tied to the mentality and customs of the 18th century.
They soon become friends, but when a series of murders occur in the quiet village, and David is presented as the prime suspect, Catherine begins to doubt the innocence of her friend ... and lover. 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Personagens Minhas Desenhadas por Outros

Catarina e David. Não gosto muito dos dentes de vampiro (não era essa a ideia que queria transmitir) mas gosto muito mesmo :D

BY: http://bdunn1342.deviantart.com/




Catarina - love it!
BY: Um membro do forum Phantomoftheopera.com, não consigo encontrar o seu site





Edomor! Simplesmente ADORO este desenho. Aquele ar inocente *.*
BY: http://tornfromthelight.deviantart.com/


Galphic. Admito, estou apaixonada pelo desenho *.*
BY: http://gizmomcs.deviantart.com/



Agnes! Yes, baby, there will be blood!
BY: http://gizmomcs.deviantart.com

Estes são alguns dos melhores que tenho aqui, tenho outros, mas ficam guardados :)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Nanozine

Gostas de desenhar? Ser escritor é a tua maior ambição? Então esta revista é para ti!

A Nanozine é um projecto a ser desenvolvido por Alexandra Rolo (autora de Diário de Uma Pagã e Selene- Luz e Trevas, vencedora do concurso NaNoWriMo) e Leonor Ferrão (Antologia Talentos Fantásticos, 2 vezes vencedora do concurso NaNoWriMo) que visa publicar autores jovens (ou não), assim como ilustradores.

Estamos a aceitar submissões de contos, poesia (ou prosa poética), ilustrações e BD. O tema é livre - pode ser de qualquer género literário.


Em cada edição publicaremos, além dos textos e desenhos que nos enviarem, uma entrevista com um escritor e/ou um vencedor do NaNoWriMo. Nesta primeira edição teremos uma entrevista ao autor dos best-sellers Orbias - As Guerreiras da Deusa e Orbias - O Demónio Branco, Fábio Ventura.

Haverão também concursos para ganhares exemplares de livros!

Para mais informações sobre o projecto e como podes participar, visita: http://nanoezine.wordpress.com/

Faz-te fã no Facebook: http://www.facebook.com/#!/pages/Nanozine/179556665407649

Participa!




sábado, 4 de dezembro de 2010

Porcelain - Cartaz

E pronto, andei a brincar com o Photoshop e deu nisto:

sábado, 27 de novembro de 2010

NaNoWriMo 2010 FINAL



Que posso dizer? Depois de uma pequena desistência e de muita teimosia, lá consegui. Pronto, devo dizer que para conseguir não me reduzi só ao Porcelain. Reparei que este mês tinha escrito imenso em cadernos, além de contos - afinal, também contam como palavras para escrever no NaNo. Assim sendo, fiquei com:

- Porcelain - Verão e Outono, falta terminar Inverno (parte mais violenta da história) e Primavera;
- Fata - título provisório, totalmente escrito à mão, passa-se cerca de 100 anos antes do Porcelain. Foi pacientemente transcrito (com erros, vá, muitos) para computador para a contagem;
- 2 contos longos e 3 contos curtos;
- Um plano de 30 páginas para um futuro policial;

O que perfaz um total de: 86,275

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

NaNoWriMo 2010

Mais um ano de Nano :) Será que consigo concretizar o objectivo?
Mal posso esperar!




A minha novel deste ano já tem nome. Vai-se chamar Porcelain (Porcelana) e vou tentar que seja um livro mais sério (quem me conhece sabe que as minhas histórias são maioritariamente policiais e fantasia, levezinhos). Esta história já vem desde há algum tempo, visto que cheguei a fazer várias páginas de BD e alguns rascunhos. Mas desta vez é à séria.

Porcelain fala sobre uma rapariga, Lianora, uma princesa não-herdeira, que, juntamente com o seu melhor amigo e primo (muito) afastado, Gryvion, esconde um segredo terrível que ninguém sabe... ou pelo menos é o que pensam! Na véspera do seu 17º aniversário, Lianora é abordada por um rapaz da floresta, Erwind, que lhe revela o conhecimento do seu segredo. Assustada, Lianora cede às chantagens de Erwind para que este não revele o que sabe. Quando é forçada a casar com Erwind, uma das chantagens do mesmo, Lianora vê-se num casamento abusivo, violento e sem saída, de onde nem mesmo o seu amor Gryvion a pode salvar...

sábado, 11 de setembro de 2010

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Nova imagem

Pois é, decidi mudar a imagem do blog e colocar uma nova "cara".

Que acham? :)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Lycanthrope or the Weird Reality (NaNoWriMo 2009) - II

Quando deu por si, Mary Jane estava a passear com Alexander, ou Lycanthrope, como gostava de ser chamado. O mais estranho é que não se sentia cansada.
- Sendo assim, não deves gostar muito da realidade… - comentou Alexander.
- Oh, eu gosto, gosto de viver para aquilo que gosto!
- Não te perguntei se gostavas de viver, afirmei que não gostavas da realidade!
- Não é a mesma coisa?
Alexander fez um meio sorriso.
- Deixa-me mostrar-te uma coisa!
Continuaram a atravessar as ruas. Apareceram algumas pessoas, no entanto, as ruas continuavam praticamente desertas.
- Vês aquela senhora? – perguntou Alexander, apontando para uma senhora idosa, numa cadeira de rodas.
- Sim!
- Vês quem a acompanha?
Mary Jane olhou e viu um rapaz jovem e atraente que empurrava a cadeira de rodas da senhora.
- O filho dela?
- O namorado dela!
- Não pode ser!
- É verdade! Aquela senhora é das mulheres mais ricas da cidade, e aquele rapaz, de apenas 25 anos, namora com ela!
- Só pode ser pelo dinheiro!
- Claro que é pelo dinheiro! No entanto, o namorado da senhora tem a sua própria namorada, uma rapariga jovem e viva como ele, que espera também herdar uma parte da fortuna da senhora quando morrer!
Mary Jane abriu a boca de choque.
- A realidade é muito estranha, não é? – comentou Alexander.
Enquanto isso, o rapaz continuava a empurrar a senhora para longe deles. Tinha um ar de frete na sua cara.
- Não é estranha, é terrível!
- Não exageres! A senhora pode perceber tudo a tempo! Ela tem tudo do seu lado!
- Ele pode assassiná-la!
- Não faças filmes! Ela tem muita gente para a proteger! Anda!
Lentamente, Mary Jane viu a senhora idosa, juntamente com o seu “namorado”, desaparecer.

De novo na rua praticamente deserta, começaram a ouvir gritos.
- Que se passa? – perguntou Mary Jane.
- Vai investigar!
Mary Jane correu e deparou-se com duas senhoras a lutar, uma delas com uma criança de dez anos na sua mão, que chorava baba e ranho.
- Que se passa? – repetiu.
- Aquela mãe bateu no filho por que ele se portou mal! A outra mulher é infértil e a sua maior ambição é ter filhos! Quando viu a mãe a dar o estalo no filho, descontrolou-se!
Mary Jane, sem pensar, correu a agarrar uma das senhoras, a que não tinha filhos.
- Não é justo! – gritou a mulher.
- Acalme-se, por favor!
A outra mulher, juntamente com o filho, afastaram-se a correr, a criança ainda a chorar, mais de medo do que da bofetada.
- Não é justo! Não é justo! – repetiu a mulher.
- Senhora…
- Há pessoas que não nascem para ser mães e têm filhos, muitos! Eu podia ser mãe e ninguém me dá nenhum, nem mesmo Deus!
Mary Jane recuou e a senhora limpou as lágrimas.
- Já tentou a adopção? – perguntou.
- É impossível, não posso ter um filho meu!
Mary Jane perguntou-se se a senhora a tinha ouvido, enquanto a via afastar-se.
- Que estranho! – comentou.
- É o que ela sente! – replicou Alexander – Acho que lhe chamam hormonas!
- Acho que lhe chamam falta de tacto! Àquilo que acabaste de dizer, claro!
Alexander encolheu os ombros. Sentou-se num banco de rua e Mary Jane acompanhou-o.
- A realidade é dura, não é? – perguntou Alexander.
- A realidade é ridícula... Vou para casa descansar…

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Script Frenzy- the end!



It has been a long long month :)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Script Frenzy


Com algum atraso (7 dias), comecei a participar no Script Frenzy, uma acção promovida pelos criadores do NaNoWiMo, cujo objectivo é criar um guião para um filme, teatro, etc, com pelo menos 100 páginas, durante o mês de Abril.
Para ser mais fácul recuperar o tempo perdido, vou pegar numa história que já tenho, a do meu primeiro livro (sim, aquele que escrevi aos 12 anos e que é, literalmente, a vergonha!!!) e escrever um guião para um filme, usando os meus actores favoritos.

Fiquem atentos ;)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

There was a girl

There was a girl
Staring with her blue eyes
Seeing the world around her
Especially the guys

One of the guys said:
“I love your blue eyes, as far as I can see”
The girl answered:
“Come and stare with me”

Then the guy said
“That was just one of my lies
I don’t love you
Or your blue eyes”

The girl started to cry
And rivers of water blown
From her blue eyes
Making the guy drown

In the end there was just a girl
Staring with her blue eyes…

Que poema mais parvo, mas apeteceu-me

segunda-feira, 29 de março de 2010

Hail Lulu.com



Terminei a conclusão da trilogia e, visto que rever ao computador é impossível para mim (por muitos erros que tenha, eles passam-me sempre ao lado), resolvi imprimir. Mas onde imprimir o meu manuscrito de 237 páginas?
Fui a um centro de cópias e perguntei por quanto me imprimiam e encadernavam e disseram que saia assim por 21€. 21€???? nem pensar
Até que me lembrei de no "Conversas Imaginárias" o Thanatos me tinha falado do site Lulu e como podia pedir só uma cópia para mim. Decidi experimentar. E devo dizer que estou muito satisfeita!
A capa ficou bem, apesar de pixelizada, e rever um livro em... livro, é outra coisa x) e saiu bem mais barato, por 8€.
I´m really happy :D

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Book Journal



Comprei um Book Journal da Moleskine- não resisti! O que é isto? É um caderno onde posso apontar, por ordem alfabética, os livros que li, juntamente com uma pequena critíca! Estou tão feliz!
http://www.moleskine.com/catalogue/passions/book_journal/

sábado, 2 de janeiro de 2010

Lycanthrope or the Weird Reality (NaNoWriMo 2009) - I

Lycanthope or the Weird Reality foi a novela que escrevi para o concurso internacional NaNoWriMo 2009, cujo objectivo era escrever no espaço de um mês uma obra de 50000 palavras. No final, a minha noveleta ficou com 57,017. Aqui vou deixar por partes curtas o que escrevi. De seguida deixo o link para o resumo (em inglês) para a história da novela,
inserida dentro do tema de Fantasia.

http://www.nanowrimo.org/eng/user/566210

PS: Os erros serão compreendidos pelo facto de o tempo para a revisão ser escasso, não? :)

******

Capítulo Primeiro

A música que tocava no mp3 embalava-a como num sonho. As pessoas na rua corriam, pisando as folhas mortas, para se abrigar do vento uivante, o presságio de que o Inverno seria frio. Não fosse o facto de estarmos em Londres e não demorar a cair as primeiras neves.
No entanto, Mary Jane não reparava nas pessoas. Fechada na sua concha, sentia-se levitar ao atravessar as mesmas ruas, não sentindo a chuva que a molhava, nem o guarda-chuva partido que alguém “perdera” prender-se nas suas pernas.
Parou e fixou um ponto infinito. As pessoas acotovelavam-na, enquanto criticavam os jovens de hoje que achavam que o Mundo era deles. Espirrou. Maldita chuva, agora teria de ficar em casa com gripe.
Continuou a avançar até chegar a casa. Despiu o casaco ensopado e deixou-se cair na entrada. Sentiu alguém pegar-lhe e tirar-lhe as roupas, para depois se sentir enchouriçada na banheira com água quente. Bocejou. Tão cansada…
- O que pensas que fazes, a atravessar a rua à chuva sem te protegeres?
Mary Jane levantou os olhos azuis sonolentos para o seu irmão.
- Não sei…- respondeu.
Tão cansada. Deixou-se adormecer.

Quando acordou, estava aconchegada na sua cama. Levantou-se e sentiu-se zonza. Era de dia - o que significava que tinha dormido o resto da tarde e a noite toda. E estava esfomeada.
Deambulou escadas abaixo até à cozinha. A casa estava deserta. Olhou para o calendário - era sábado. O seu irmão devia estar num treino qualquer e os seus pais deviam estar a trabalhar.
Depois de comer uma refeição rápida, saiu para a rua. Mesmo estas estavam mais desertas que o habitual. Nada como aproveitar a manhã de sábado para dormir.
Sentou-se num café de esquina, praticamente deserto, sendo apenas povoado por um homem a ler um jornal. Enquanto esperava pelo pedido, alguém se sentou na sua frente. Era um rapaz, mais velho que ela, vestido de negro da cabeça aos pés, de cabelos negros algo compridos e olhos cinzentos, frios. No entanto, era algo atraente.
- Posso-me sentar? Todos os outros lugares estão ocupados…
Mary Jane olhou em volta, vendo muitos lugares livres. Além disso, o rapaz já estava sentado.
- Como queiras…
Mary Jane preparou-se para levantar, mas mudou de ideias. Fixou o rapaz.
- Há muitas mesas vagas…
- Não, não há! – respondeu o rapaz – Não vês?
Mary Jane olhou, mas continuou a ver o café vazio. Desta vez, já nem o homem a ler o jornal estava lá, nem sequer o empregado no balcão.
- Não vejo ninguém…
O rapaz sorriu, apenas de um lado, o que lhe deu a impressão de que gozava com ela.
- Não te apresentas? – perguntou.
- A minha mãe não me deixa falar com estranhos! – replicou Mary Jane, com ironia.
- Oh vá lá, visto que vamos estar ainda um bom tempo a olhar um para o outro, pelo menos deixa-me saber o teu nome!
Mary Jane fixou os olhos cinzentos do rapaz. Na sua imaginação, eles pareciam estranhos, quase lupinos.
- Mary Jane, mas podes tratar-me por MJ! – disparou.
- Alexander, prazer! – Alexander esticou a mão – Chama-me Lycanthrope!
- Lycan… quê?
- Lycanthrope… nome de família!
Mary Jane preparou-se para se levantar. Não estava para aturar os devaneios de um jovem que gostava de ter uma alcunha que parecia ter sido tirada de um videojogo.
- Espera!
- Sim?
- Que idade tens?
Mary Jane semicerrou os olhos.
- Pervertido!
- Desculpa?
- Queres saber a idade de uma adolescente com quem começaste a meter conversa do nada!
- Oh, como queiras!
Mary Jane fixou-o, ainda sentado na sua frente, com ar despreocupado. Sabia que tinha de ir embora, mas, por alguma razão inexplicável, não conseguia.
- Tenho dezasseis anos! Satisfeito?
- Tenho vinte e três anos! Ainda bem que nos entendemos!
Mary Jane sorriu.
- Queres que me apresente formalmente?
- Sim, claro!
Mary Jane levantou, passou a mão pelo lenço que levava na cabeça e tirou-o, deixando a descoberto a cabeça praticamente careca, apenas revestida de uma fina penugem loira.
- Chamo-me Mary Jane! Tenho dezasseis anos! Adoro desenhar e não costumo socializar! Ah, e tenho carcinomas, sabes o que isso significa, não sabes?
- Significa que estás a morrer.
- Precisamente. Ainda bem que nos entendemos!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Ode ao Tipo

O Tipo está lá. É non-sense. Ninguém sabe muito bem o que é, se é uma expressão, ou se é uma pessoa. Ninguém sabe se é "Aquele Tipo" ou "Aquele Tipo de Pessoa".
Tipo, ele aparece nas nossas frases. Rasteja para o meio delas quando não sabemos o que dizer. Ou quando vamos a dizer algo e nos perdemos... tipo isso, sim.
Já viram bem a quantidade de vezes que ouvimos a palavra tipo durante o dia? (e o referimos?) Nem sabemos muito bem quem ele é... tipo, ele está lá, isso é certo.

Tipo, se me estás a ouvir... tipo, estás lá!


Puramente non-sense... é só mesmo por que está a chover

domingo, 29 de novembro de 2009

Nanowrimo

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Desabafo de uma tarde de Sexta-Feira

Já alguma vez tiveram uma tarde livre, só para vocês? E sentiram que nessa tarde a última coisa que queriam era estar em casa, sem fazer nada? Foi o que me aconteceu hoje.

Mas recuemos um pouco. Tinha tido Educação Física antes do almoço e estava cansada. Detesto voleibol! Detesto quando vou a correr para apanhar a bola e ela passa-me ao lado e tudo o que ouço é "Opá, olha o que fizeste!". Dá-me vontade de lhes dizer que não passa de uma aula, mas não adianta... ignora-se.
Mal cheguei a casa, sentei-me a ver o episódio da série que tinha gravado na noite anterior. Não me apetecia almoçar e acabei por almoçar no MacDonald's quase às três e meia da tarde, com o meu irmão.

Em vez de voltar para a casa, apeteceu-me ir sozinha para a baixa. Enquanto ia no metro, como desta vez não ia a ler ou a ouvir música, fui reparando nas pessoas à minha volta. Um rapaz (com vinte anos) olhou para a minha mala dos Blind Guardian, desconfiado- devia achar que eu tinha de estar vestida toda de preto e com botas de tacão de dez centímetros para poder usar uma mala daquelas.
Saí na baixa e fui até à FNAC, onde estive a tarde toda a ler. É incrível como são tão permissivos naquela loja! Estava uma sala inteira de pessoas a ler (que foram mudando durante a tarde) e eles nem reclamavam. Acabei por não levar nada, felizmente tenho muitos livros em lista de espera. Às seis e um quarto (ou lá perto), quando saí do "Espaço de Leitura", com uma estranha sensação reconfortante, ouvi barulho. Música. Subi as escadas até ao andar de cima. No dia anterior tinha visto o David Fonseca (e tinha incluído autografo e um desenho personalizado) e estava com esperanças de o encontrar outra vez. Mas não, era a banda João Só e Abandonados. E devo admitir que gostei, apesar de ter chegado quase no fim.

Quando saí para a rua, senti que não estava tanto frio como nos dias anteriores. Felicidade, fui passear pela baixa, sozinha, e ver as iluminações de Natal. Estão espantosas! Reparei na quantidade de gente que passava por mim a falar ao telemóvel. Um dizia "Tu nem sabes, nem sabes!" e continuava a andar (todos andam mais rápido que eu), outro dizia "Olha é assim, paaaaah!" e não ouvi mais. Umas raparigas, mais novas que eu, falavam de roupa e diziam "Ai, tu nem sabes o que a nãoseiquantas fez" (onde já ouvi isto?). Quando dei por mim eram horas de voltar para casa.

Fui a desenhar no metro, claro. Um miúdo atrás de mim, guinchou que eu estava a desenhar, excitado. Uma senhora à minha frente, com ar estrangeiro, sorria - talvez não percebesse. Ao meu lado, um senhor de pé parecia esperar que eu me levantasse para ele se sentar.

Se vivesse na baixa, acho que não resistia a fazer isto todos os dias!

sábado, 13 de junho de 2009

Lobisomem- parte 2

Nos dias que se seguiram, Isobel não conseguia esquecer o estranho lobo. Conservava-se mais calada e isolada do que nunca. Mas também não tinha coragem de se aventurar para dentro da floresta de novo. Nada lhe assegurava que encontraria o lobo de novo. E também nada lhe assegurava que entraria e saíria em segurança da misteriosa floresta.
Alguns dias depois, enquanto Isobel lavava as mãos no poço depois de uma tarde de trabalho, Sam aproximou-se.
- Isobel!
Levantou a cabeça. Sam era um rapaz franzino e moreno, pouco atraente ao qual nunca se dignara a dispensar a sua atenção.
- Diz!
- Encontrei isto! É teu?
Sam estendeu-lhe um fio preto com um dente de lobo preso. Era o colar que tinha perdido naquela fatídica noite na floresta.
- Onde o encontraste?
- Não importa! É teu?
- É…
Isobel arrancou o colar das mãos de Sam e colocou-o. Deixou o balde deslizar até ao fim do poço e afastou-se a correr, arregaçando o vestido para correr mais depressa.
- Espera!- chamou Sam.
- Que queres?
Sam fitou-a e Isobel franziu o sobrolho.
- Que queres?- repetiu.
- Onde arranjaste o dente?
- Na floresta!
- Sabes que não podemos ir para lá!
- Eu posso! Eu faço o que quero!
Isobel afastou-se a correr até casa, onde fechou a porta. Não sentiu vontade de comer. Esperou, quieta, pela noite. Eram poucos naquela casa, apenas os seus pais e o seu irmão mais novo- todos os outros tinham morrido. «Um deles foi atacado por um lobo», lembrou com um estremecimento.
Quando finalmente escureceu, Isobel saiu de mansinho. Ia arriscar sair para a floresta. Olhou para o céu, para o quarto minguante semi-oculto. Nem isso a desincentivou.
Depressa se embrenhou na floresta, mais escura que nunca. Ouviu um som atrás de si e, instintivamente, agarrou o dente de lobo no seu colar. Só agora se lembrava que devia ter roubado um cavalo da aldeia- pelo menos tornaria a viagem menos cansativa e assustadora. Pensaria nisso na próxima vez.
Se houvesse uma próxima vez!
Continuou a caminhar, sentindo-se nervosa como nunca. Nas suas anteriores expedições nunca se sentira assim- era estranho!
Um som ecoou pela floresta, seguido de um uivo. Isobel, de tão nervosa que estava, começou a correr sem destino.
Só quando tropeçou e aterrou na lama é que se apercebeu que se tinha embrenhado demais na floresta e que estava perdida.

sábado, 2 de maio de 2009

Lobisomem- parte 1

Isobel caminhava pela floresta nocturna. Não era alta nem baixa, nem gorda nem magra, mas sim uma robusta rapariga do campo. As florestas durante a noite eram perigosas, especialmente para raparigas. Mesmo assim, aquela floresta frondosa e escura transmitia-lhe uma sensação de calma que não encontrava em mais nenhum sítio.
O luar salpicava de prateado o seu caminho e Isobel sorriu a esta visão. Talvez dormisse ali mesmo e acordasse de madrugada para chegar a casa a tempo de ninguém reparar.
Uma nuvem cruzou os céus e mergulhou a floresta na mais profunda escuridão. Fechou os olhos e continuou a caminhar, ignorando os galhos caídos que lhe feriam os pés.
Um som agressivo quebrou o silêncio e, com uma inspiração sonora, Isobel voltou-se. Focou os olhos e distinguiu uma sombra. Segundos depois distinguiu ainda outras duas. Começou a tremer.
Ladrões!
Estes aproximaram-se dela. Eram pelo menos quatro, todos eles homens. Falavam uma língua que não percebia, muito diferente da sua.
Isobel começou a recuar, enquanto os homens falavam entre si. Sabia que não lhe valia de nada tentar falar com os homens, pois eles não a compreenderiam, nem gritar por socorro, pois ninguém a ouviria.
Perguntou-se o que os homens lhe fariam. Não trazia dinheiro nem nada de valor, pois não o possuía. A sua única peça de valor era um colar pendurado ao pescoço com um dente de lobo que encontrara na sua última ida à floresta.
Um dos homens agarrou-a por um braço e, instintivamente, Isobel começou a gritar. Sentiu a boca ser coberta por uma mão enluvada e outra mão revistar-lhe os bolsos do vestido. Não sabia como escapar.
Subitamente, os homens recuaram e Isobel caiu sentada no chão. Recuou até encontrar um tronco de árvore e escondeu-se quanto pôde na penumbra.
Um estranho ronco ecoou pela floresta, seguido por um uivo. Os ladrões gritaram em pânico e Isobel perguntou-se se não seria uma matilha de lobos. Se sim, temeu ainda mais pela sua vida, transpirando e tremendo no seu canto.
Ouviu o uivo ainda mais forte, seguido pelo rosnar característico. Passos rápidos percorreram o chão e os ladrões gritaram ainda mais alto. Isobel encolheu-se como meio de protecção.
Aos poucos os gritos iam cessando, o que indicava que eram cada vez menos ladrões (esperava ela). Os lobos mexiam-se com velocidade, invisíveis na noite, enquanto desmembravam os seus inimigos.
Poucos segundos depois, tudo tinha terminado.
Caiu um silêncio pesado. A medo, Isobel procurou focar os olhos no escuro. No início viu apenas escuridão, negro, trevas. Depois, a nuvem começou a desviar-se e Isobel pôde finalmente ver os seus salvadores. Qual não foi o seu espanto quando apenas viu uma estranha criatura semelhante a um lobo, mas muito, muito maior, quase do tamanho de um cavalo de costas arqueadas. O seu pêlo farto e cinzento estava manchado de suor e de sangue e respirava com força, como se estivesse cansado. Á sua volta jaziam os corpos dos ladrões, mortos.
O grande lobo olhou para ela e Isobel encolheu-se. O animal farejou o ar, sacudiu-se e caminhou na sua direcção, de cabeça baixa. O luar banhou-lhe o pêlo cinzento, traspirado e manchado de sangue vivo. As suas mandíbulas estavam igualmente manchadas e pendiam na direcção do chão, de uma maneira algo assustadora.
Isobel inspirou sonoramente e o grande lobo parou. Farejou o ar com ainda mais força e esticou a cabeça quase a tocar-lhe. Por instinto, Isobel estendeu a mão e o animal recuou com a cabeça um tanto bruscamente. Depois, mais calmo, fechou a boca e aproximou-se ainda mais. Isobel acariciou-lhe as orelhas peludas e percorreu o focinho do animal, explorando as formas invulgares e caninas. Não percebia porque razão o lobo não a atacava. Talvez fosse uma armadilha, embora duvidasse que os lobos tivessem a capacidade para pensar numa armadilha daquele tipo.
Isobel levantou-se e o lobo postrou-se a seu lado.
- Não me sigas!- sussurrou.
O lobo sacudiu-se, libertando pêlos cinzentos, e olhou-a com os olhos muito escuros e profundos. Mais calmo e mais perto dela, não parecia tão grande, dava-lhe mais ou menos acima da cintura. O lobo sentou-se e ganiu.
Isobel reparou que o lobo lambia a pata direita. Aproximou-se, mais por instinto do que por vontade, e pegou na pata do lobo. Tinha uma ferida enorme e feia, que se destacava bastante no meio do pêlo manchado. Aliás, nem percebia como não tinha reparado nela.
- Para te tratar disso tenho de te levar para minha casa!- sussurrou.
O lobo parecia divertido com a sua afirmação, pois lançou um som amigável das profundezas da sua garganta e os seus olhos brilharam intensamente. Isobel riu-se ao pensar como seria chegar a casa com o lobo e dizer que este a tinha seguido até casa.
Largou a pata do lobo e começou a caminhar, sendo seguida de perto pelo lobo. Tinha medo de voltar para a aldeia com o lobo, principalmente porque tinha medo que o abatessem. E Isobel já se sentia, de certa maneira, ligada ao animal.
Á entrada da aldeia, o lobo estacou. Isobel também parou e ficou a olhar para o seu novo amigo, perguntando-se porque razão este se encontrava parado, com a cauda a abanar de maneira calma.
- Então, não vens?
Aproximou-se do lobo e este recuou, ganindo quando a sua pata direita encontrou o chão com demasiado peso.
- Não te afastes!- pediu Isobel, num sussurro.
O lobo sentou-se e deixou que ela se aproximasse. Mesmo sentado continuava grande demais para um lobo normal.
- Ah, tu percebes o perigo, não é?- sussurrou Isobel, num murmúrio de compreensão.
O lobo fitou-a momentaneamente e logo depois começou a limpar a pata, cujo sangue começava a estancar. Isobel pensou que, sendo ele um animal selvagem, devia ter uma grande resistência a ferimentos.
O sol começava a nascer. Isobel não notara que tinha passado tanto tempo. Aí, o lobo ergueu-se e correu até se desaparecer na frondosa floresta.