Nos dias que se seguiram, Isobel não conseguia esquecer o estranho lobo. Conservava-se mais calada e isolada do que nunca. Mas também não tinha coragem de se aventurar para dentro da floresta de novo. Nada lhe assegurava que encontraria o lobo de novo. E também nada lhe assegurava que entraria e saíria em segurança da misteriosa floresta.
Alguns dias depois, enquanto Isobel lavava as mãos no poço depois de uma tarde de trabalho, Sam aproximou-se.
- Isobel!
Levantou a cabeça. Sam era um rapaz franzino e moreno, pouco atraente ao qual nunca se dignara a dispensar a sua atenção.
- Diz!
- Encontrei isto! É teu?
Sam estendeu-lhe um fio preto com um dente de lobo preso. Era o colar que tinha perdido naquela fatídica noite na floresta.
- Onde o encontraste?
- Não importa! É teu?
- É…
Isobel arrancou o colar das mãos de Sam e colocou-o. Deixou o balde deslizar até ao fim do poço e afastou-se a correr, arregaçando o vestido para correr mais depressa.
- Espera!- chamou Sam.
- Que queres?
Sam fitou-a e Isobel franziu o sobrolho.
- Que queres?- repetiu.
- Onde arranjaste o dente?
- Na floresta!
- Sabes que não podemos ir para lá!
- Eu posso! Eu faço o que quero!
Isobel afastou-se a correr até casa, onde fechou a porta. Não sentiu vontade de comer. Esperou, quieta, pela noite. Eram poucos naquela casa, apenas os seus pais e o seu irmão mais novo- todos os outros tinham morrido. «Um deles foi atacado por um lobo», lembrou com um estremecimento.
Quando finalmente escureceu, Isobel saiu de mansinho. Ia arriscar sair para a floresta. Olhou para o céu, para o quarto minguante semi-oculto. Nem isso a desincentivou.
Depressa se embrenhou na floresta, mais escura que nunca. Ouviu um som atrás de si e, instintivamente, agarrou o dente de lobo no seu colar. Só agora se lembrava que devia ter roubado um cavalo da aldeia- pelo menos tornaria a viagem menos cansativa e assustadora. Pensaria nisso na próxima vez.
Se houvesse uma próxima vez!
Continuou a caminhar, sentindo-se nervosa como nunca. Nas suas anteriores expedições nunca se sentira assim- era estranho!
Um som ecoou pela floresta, seguido de um uivo. Isobel, de tão nervosa que estava, começou a correr sem destino.
Só quando tropeçou e aterrou na lama é que se apercebeu que se tinha embrenhado demais na floresta e que estava perdida.
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on Sábado, 13 de Junho de 2009
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