Nos dias que se seguiram, Isobel não conseguia esquecer o estranho lobo. Conservava-se mais calada e isolada do que nunca. Mas também não tinha coragem de se aventurar para dentro da floresta de novo. Nada lhe assegurava que encontraria o lobo de novo. E também nada lhe assegurava que entraria e saíria em segurança da misteriosa floresta.
Alguns dias depois, enquanto Isobel lavava as mãos no poço depois de uma tarde de trabalho, Sam aproximou-se.
- Isobel!
Levantou a cabeça. Sam era um rapaz franzino e moreno, pouco atraente ao qual nunca se dignara a dispensar a sua atenção.
- Diz!
- Encontrei isto! É teu?
Sam estendeu-lhe um fio preto com um dente de lobo preso. Era o colar que tinha perdido naquela fatídica noite na floresta.
- Onde o encontraste?
- Não importa! É teu?
- É…
Isobel arrancou o colar das mãos de Sam e colocou-o. Deixou o balde deslizar até ao fim do poço e afastou-se a correr, arregaçando o vestido para correr mais depressa.
- Espera!- chamou Sam.
- Que queres?
Sam fitou-a e Isobel franziu o sobrolho.
- Que queres?- repetiu.
- Onde arranjaste o dente?
- Na floresta!
- Sabes que não podemos ir para lá!
- Eu posso! Eu faço o que quero!
Isobel afastou-se a correr até casa, onde fechou a porta. Não sentiu vontade de comer. Esperou, quieta, pela noite. Eram poucos naquela casa, apenas os seus pais e o seu irmão mais novo- todos os outros tinham morrido. «Um deles foi atacado por um lobo», lembrou com um estremecimento.
Quando finalmente escureceu, Isobel saiu de mansinho. Ia arriscar sair para a floresta. Olhou para o céu, para o quarto minguante semi-oculto. Nem isso a desincentivou.
Depressa se embrenhou na floresta, mais escura que nunca. Ouviu um som atrás de si e, instintivamente, agarrou o dente de lobo no seu colar. Só agora se lembrava que devia ter roubado um cavalo da aldeia- pelo menos tornaria a viagem menos cansativa e assustadora. Pensaria nisso na próxima vez.
Se houvesse uma próxima vez!
Continuou a caminhar, sentindo-se nervosa como nunca. Nas suas anteriores expedições nunca se sentira assim- era estranho!
Um som ecoou pela floresta, seguido de um uivo. Isobel, de tão nervosa que estava, começou a correr sem destino.
Só quando tropeçou e aterrou na lama é que se apercebeu que se tinha embrenhado demais na floresta e que estava perdida.
sábado, 13 de junho de 2009
sábado, 2 de maio de 2009
Lobisomem- parte 1
Isobel caminhava pela floresta nocturna. Não era alta nem baixa, nem gorda nem magra, mas sim uma robusta rapariga do campo. As florestas durante a noite eram perigosas, especialmente para raparigas. Mesmo assim, aquela floresta frondosa e escura transmitia-lhe uma sensação de calma que não encontrava em mais nenhum sítio.
O luar salpicava de prateado o seu caminho e Isobel sorriu a esta visão. Talvez dormisse ali mesmo e acordasse de madrugada para chegar a casa a tempo de ninguém reparar.
Uma nuvem cruzou os céus e mergulhou a floresta na mais profunda escuridão. Fechou os olhos e continuou a caminhar, ignorando os galhos caídos que lhe feriam os pés.
Um som agressivo quebrou o silêncio e, com uma inspiração sonora, Isobel voltou-se. Focou os olhos e distinguiu uma sombra. Segundos depois distinguiu ainda outras duas. Começou a tremer.
Ladrões!
Estes aproximaram-se dela. Eram pelo menos quatro, todos eles homens. Falavam uma língua que não percebia, muito diferente da sua.
Isobel começou a recuar, enquanto os homens falavam entre si. Sabia que não lhe valia de nada tentar falar com os homens, pois eles não a compreenderiam, nem gritar por socorro, pois ninguém a ouviria.
Perguntou-se o que os homens lhe fariam. Não trazia dinheiro nem nada de valor, pois não o possuía. A sua única peça de valor era um colar pendurado ao pescoço com um dente de lobo que encontrara na sua última ida à floresta.
Um dos homens agarrou-a por um braço e, instintivamente, Isobel começou a gritar. Sentiu a boca ser coberta por uma mão enluvada e outra mão revistar-lhe os bolsos do vestido. Não sabia como escapar.
Subitamente, os homens recuaram e Isobel caiu sentada no chão. Recuou até encontrar um tronco de árvore e escondeu-se quanto pôde na penumbra.
Um estranho ronco ecoou pela floresta, seguido por um uivo. Os ladrões gritaram em pânico e Isobel perguntou-se se não seria uma matilha de lobos. Se sim, temeu ainda mais pela sua vida, transpirando e tremendo no seu canto.
Ouviu o uivo ainda mais forte, seguido pelo rosnar característico. Passos rápidos percorreram o chão e os ladrões gritaram ainda mais alto. Isobel encolheu-se como meio de protecção.
Aos poucos os gritos iam cessando, o que indicava que eram cada vez menos ladrões (esperava ela). Os lobos mexiam-se com velocidade, invisíveis na noite, enquanto desmembravam os seus inimigos.
Poucos segundos depois, tudo tinha terminado.
Caiu um silêncio pesado. A medo, Isobel procurou focar os olhos no escuro. No início viu apenas escuridão, negro, trevas. Depois, a nuvem começou a desviar-se e Isobel pôde finalmente ver os seus salvadores. Qual não foi o seu espanto quando apenas viu uma estranha criatura semelhante a um lobo, mas muito, muito maior, quase do tamanho de um cavalo de costas arqueadas. O seu pêlo farto e cinzento estava manchado de suor e de sangue e respirava com força, como se estivesse cansado. Á sua volta jaziam os corpos dos ladrões, mortos.
O grande lobo olhou para ela e Isobel encolheu-se. O animal farejou o ar, sacudiu-se e caminhou na sua direcção, de cabeça baixa. O luar banhou-lhe o pêlo cinzento, traspirado e manchado de sangue vivo. As suas mandíbulas estavam igualmente manchadas e pendiam na direcção do chão, de uma maneira algo assustadora.
Isobel inspirou sonoramente e o grande lobo parou. Farejou o ar com ainda mais força e esticou a cabeça quase a tocar-lhe. Por instinto, Isobel estendeu a mão e o animal recuou com a cabeça um tanto bruscamente. Depois, mais calmo, fechou a boca e aproximou-se ainda mais. Isobel acariciou-lhe as orelhas peludas e percorreu o focinho do animal, explorando as formas invulgares e caninas. Não percebia porque razão o lobo não a atacava. Talvez fosse uma armadilha, embora duvidasse que os lobos tivessem a capacidade para pensar numa armadilha daquele tipo.
Isobel levantou-se e o lobo postrou-se a seu lado.
- Não me sigas!- sussurrou.
O lobo sacudiu-se, libertando pêlos cinzentos, e olhou-a com os olhos muito escuros e profundos. Mais calmo e mais perto dela, não parecia tão grande, dava-lhe mais ou menos acima da cintura. O lobo sentou-se e ganiu.
Isobel reparou que o lobo lambia a pata direita. Aproximou-se, mais por instinto do que por vontade, e pegou na pata do lobo. Tinha uma ferida enorme e feia, que se destacava bastante no meio do pêlo manchado. Aliás, nem percebia como não tinha reparado nela.
- Para te tratar disso tenho de te levar para minha casa!- sussurrou.
O lobo parecia divertido com a sua afirmação, pois lançou um som amigável das profundezas da sua garganta e os seus olhos brilharam intensamente. Isobel riu-se ao pensar como seria chegar a casa com o lobo e dizer que este a tinha seguido até casa.
Largou a pata do lobo e começou a caminhar, sendo seguida de perto pelo lobo. Tinha medo de voltar para a aldeia com o lobo, principalmente porque tinha medo que o abatessem. E Isobel já se sentia, de certa maneira, ligada ao animal.
Á entrada da aldeia, o lobo estacou. Isobel também parou e ficou a olhar para o seu novo amigo, perguntando-se porque razão este se encontrava parado, com a cauda a abanar de maneira calma.
- Então, não vens?
Aproximou-se do lobo e este recuou, ganindo quando a sua pata direita encontrou o chão com demasiado peso.
- Não te afastes!- pediu Isobel, num sussurro.
O lobo sentou-se e deixou que ela se aproximasse. Mesmo sentado continuava grande demais para um lobo normal.
- Ah, tu percebes o perigo, não é?- sussurrou Isobel, num murmúrio de compreensão.
O lobo fitou-a momentaneamente e logo depois começou a limpar a pata, cujo sangue começava a estancar. Isobel pensou que, sendo ele um animal selvagem, devia ter uma grande resistência a ferimentos.
O sol começava a nascer. Isobel não notara que tinha passado tanto tempo. Aí, o lobo ergueu-se e correu até se desaparecer na frondosa floresta.
O luar salpicava de prateado o seu caminho e Isobel sorriu a esta visão. Talvez dormisse ali mesmo e acordasse de madrugada para chegar a casa a tempo de ninguém reparar.
Uma nuvem cruzou os céus e mergulhou a floresta na mais profunda escuridão. Fechou os olhos e continuou a caminhar, ignorando os galhos caídos que lhe feriam os pés.
Um som agressivo quebrou o silêncio e, com uma inspiração sonora, Isobel voltou-se. Focou os olhos e distinguiu uma sombra. Segundos depois distinguiu ainda outras duas. Começou a tremer.
Ladrões!
Estes aproximaram-se dela. Eram pelo menos quatro, todos eles homens. Falavam uma língua que não percebia, muito diferente da sua.
Isobel começou a recuar, enquanto os homens falavam entre si. Sabia que não lhe valia de nada tentar falar com os homens, pois eles não a compreenderiam, nem gritar por socorro, pois ninguém a ouviria.
Perguntou-se o que os homens lhe fariam. Não trazia dinheiro nem nada de valor, pois não o possuía. A sua única peça de valor era um colar pendurado ao pescoço com um dente de lobo que encontrara na sua última ida à floresta.
Um dos homens agarrou-a por um braço e, instintivamente, Isobel começou a gritar. Sentiu a boca ser coberta por uma mão enluvada e outra mão revistar-lhe os bolsos do vestido. Não sabia como escapar.
Subitamente, os homens recuaram e Isobel caiu sentada no chão. Recuou até encontrar um tronco de árvore e escondeu-se quanto pôde na penumbra.
Um estranho ronco ecoou pela floresta, seguido por um uivo. Os ladrões gritaram em pânico e Isobel perguntou-se se não seria uma matilha de lobos. Se sim, temeu ainda mais pela sua vida, transpirando e tremendo no seu canto.
Ouviu o uivo ainda mais forte, seguido pelo rosnar característico. Passos rápidos percorreram o chão e os ladrões gritaram ainda mais alto. Isobel encolheu-se como meio de protecção.
Aos poucos os gritos iam cessando, o que indicava que eram cada vez menos ladrões (esperava ela). Os lobos mexiam-se com velocidade, invisíveis na noite, enquanto desmembravam os seus inimigos.
Poucos segundos depois, tudo tinha terminado.
Caiu um silêncio pesado. A medo, Isobel procurou focar os olhos no escuro. No início viu apenas escuridão, negro, trevas. Depois, a nuvem começou a desviar-se e Isobel pôde finalmente ver os seus salvadores. Qual não foi o seu espanto quando apenas viu uma estranha criatura semelhante a um lobo, mas muito, muito maior, quase do tamanho de um cavalo de costas arqueadas. O seu pêlo farto e cinzento estava manchado de suor e de sangue e respirava com força, como se estivesse cansado. Á sua volta jaziam os corpos dos ladrões, mortos.
O grande lobo olhou para ela e Isobel encolheu-se. O animal farejou o ar, sacudiu-se e caminhou na sua direcção, de cabeça baixa. O luar banhou-lhe o pêlo cinzento, traspirado e manchado de sangue vivo. As suas mandíbulas estavam igualmente manchadas e pendiam na direcção do chão, de uma maneira algo assustadora.
Isobel inspirou sonoramente e o grande lobo parou. Farejou o ar com ainda mais força e esticou a cabeça quase a tocar-lhe. Por instinto, Isobel estendeu a mão e o animal recuou com a cabeça um tanto bruscamente. Depois, mais calmo, fechou a boca e aproximou-se ainda mais. Isobel acariciou-lhe as orelhas peludas e percorreu o focinho do animal, explorando as formas invulgares e caninas. Não percebia porque razão o lobo não a atacava. Talvez fosse uma armadilha, embora duvidasse que os lobos tivessem a capacidade para pensar numa armadilha daquele tipo.
Isobel levantou-se e o lobo postrou-se a seu lado.
- Não me sigas!- sussurrou.
O lobo sacudiu-se, libertando pêlos cinzentos, e olhou-a com os olhos muito escuros e profundos. Mais calmo e mais perto dela, não parecia tão grande, dava-lhe mais ou menos acima da cintura. O lobo sentou-se e ganiu.
Isobel reparou que o lobo lambia a pata direita. Aproximou-se, mais por instinto do que por vontade, e pegou na pata do lobo. Tinha uma ferida enorme e feia, que se destacava bastante no meio do pêlo manchado. Aliás, nem percebia como não tinha reparado nela.
- Para te tratar disso tenho de te levar para minha casa!- sussurrou.
O lobo parecia divertido com a sua afirmação, pois lançou um som amigável das profundezas da sua garganta e os seus olhos brilharam intensamente. Isobel riu-se ao pensar como seria chegar a casa com o lobo e dizer que este a tinha seguido até casa.
Largou a pata do lobo e começou a caminhar, sendo seguida de perto pelo lobo. Tinha medo de voltar para a aldeia com o lobo, principalmente porque tinha medo que o abatessem. E Isobel já se sentia, de certa maneira, ligada ao animal.
Á entrada da aldeia, o lobo estacou. Isobel também parou e ficou a olhar para o seu novo amigo, perguntando-se porque razão este se encontrava parado, com a cauda a abanar de maneira calma.
- Então, não vens?
Aproximou-se do lobo e este recuou, ganindo quando a sua pata direita encontrou o chão com demasiado peso.
- Não te afastes!- pediu Isobel, num sussurro.
O lobo sentou-se e deixou que ela se aproximasse. Mesmo sentado continuava grande demais para um lobo normal.
- Ah, tu percebes o perigo, não é?- sussurrou Isobel, num murmúrio de compreensão.
O lobo fitou-a momentaneamente e logo depois começou a limpar a pata, cujo sangue começava a estancar. Isobel pensou que, sendo ele um animal selvagem, devia ter uma grande resistência a ferimentos.
O sol começava a nascer. Isobel não notara que tinha passado tanto tempo. Aí, o lobo ergueu-se e correu até se desaparecer na frondosa floresta.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
A Artista
Acordas de manhã - é quinta-feira,
Não é o início, não é o meio e, pior que isso,
Não é o fim da semana!
Levantas-te, sabendo as expectativas que recaem sobre ti:
Querem que sejas médica, enfermeira ou até economista
Quando apenas queres ser artista…
Chegas à escola, é a confusão a que já estás habituada:
Todos se conhecem, todos se falam, todos se cumprimentam…
Menos tu! Tu sentas-te no teu canto a desenhar…
Não chateias ninguém,
É melhor assim…
Nas aulas, deixas os professores falar,
Não te metes, não comentas,
É melhor assim: as tuas ideias são muito diferentes.
Para ti, Pessoa era uma pessoa insegura
E Garret um autêntico comediante!
Mas shiu!, não digas nada…
Ninguém te escutará…
Vais para o almoço, esperas na fila:
Uma eternidade para continuares com fome!
A meio do caminho, deixas cair o tabuleiro
Todos se riem!
Abaixas-te para apanhar…
E percebes que todos olham para a tua saia curta manchada
Levantas-te com dignidade, não te importas…
E comes em silêncio.
Expectativas frustradas, pensas
Ao receber o teste de Biologia
Um cinco, dois traços e um semi círculo
Só vês formas geométricas
Qual enfermeira, qual médica
Só queres ser artista!
A caminho de casa,
Há aquela parede branca de cal…
Sempre te fascinou…
Pegas nos teus pincéis e nas tuas tintas
Sempre contigo, na tua mala
E, por impulso, preenches a parede,
Desenhando um novo mundo
Vindo da tua cabeça…
Nem reparas na multidão à tua volta,
Todos te observam com admiração…
Mas tu não te importas!
Pintas sem parar, determinada,
Algo te diz que sempre quiseste fazer aquilo!
Crias o teu Mundo, crias o Mundo de toda a gente
Naquela parede branca de cal
Agora das mais variadas cores!
Sentes-te orgulhosa!
Há tua volta há uma grande multidão, todos te admiram!
E, lá atrás, a tua mãe chora:
“A minha filha é uma Artista!”.
Não é o início, não é o meio e, pior que isso,
Não é o fim da semana!
Levantas-te, sabendo as expectativas que recaem sobre ti:
Querem que sejas médica, enfermeira ou até economista
Quando apenas queres ser artista…
Chegas à escola, é a confusão a que já estás habituada:
Todos se conhecem, todos se falam, todos se cumprimentam…
Menos tu! Tu sentas-te no teu canto a desenhar…
Não chateias ninguém,
É melhor assim…
Nas aulas, deixas os professores falar,
Não te metes, não comentas,
É melhor assim: as tuas ideias são muito diferentes.
Para ti, Pessoa era uma pessoa insegura
E Garret um autêntico comediante!
Mas shiu!, não digas nada…
Ninguém te escutará…
Vais para o almoço, esperas na fila:
Uma eternidade para continuares com fome!
A meio do caminho, deixas cair o tabuleiro
Todos se riem!
Abaixas-te para apanhar…
E percebes que todos olham para a tua saia curta manchada
Levantas-te com dignidade, não te importas…
E comes em silêncio.
Expectativas frustradas, pensas
Ao receber o teste de Biologia
Um cinco, dois traços e um semi círculo
Só vês formas geométricas
Qual enfermeira, qual médica
Só queres ser artista!
A caminho de casa,
Há aquela parede branca de cal…
Sempre te fascinou…
Pegas nos teus pincéis e nas tuas tintas
Sempre contigo, na tua mala
E, por impulso, preenches a parede,
Desenhando um novo mundo
Vindo da tua cabeça…
Nem reparas na multidão à tua volta,
Todos te observam com admiração…
Mas tu não te importas!
Pintas sem parar, determinada,
Algo te diz que sempre quiseste fazer aquilo!
Crias o teu Mundo, crias o Mundo de toda a gente
Naquela parede branca de cal
Agora das mais variadas cores!
Sentes-te orgulhosa!
Há tua volta há uma grande multidão, todos te admiram!
E, lá atrás, a tua mãe chora:
“A minha filha é uma Artista!”.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Desafio (Literário?)
Fui 'tagada' pelo meu irmão com o seguinte desafio:
1. Pegar no livro mais próximo
2. Abri-lo na página 161
3. Procurar a 5ª frase completa
4. Copiar a frase
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo)
6. Passar o desafio a cinco pessoas
'Houve apenas um único momento de ansiedade durante a manhã, quando um touro velho enfiou a cabeça pelas canas, fazendo as crianças gritar e dispersar'
Lobo Branco, by David Gemmell
Excelente livro, um dos meus favoritos de sempre, visto que o estou a ler pela 'enésima' vez, estava aqui ao lado ;p
Não vou tagar ninguém- eu sou mesmo assim.
PS: Quem quiser faça.
PS2: Se alguém fizer, diga qualquer coisa.
1. Pegar no livro mais próximo
2. Abri-lo na página 161
3. Procurar a 5ª frase completa
4. Copiar a frase
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo)
6. Passar o desafio a cinco pessoas
'Houve apenas um único momento de ansiedade durante a manhã, quando um touro velho enfiou a cabeça pelas canas, fazendo as crianças gritar e dispersar'
Lobo Branco, by David Gemmell
Excelente livro, um dos meus favoritos de sempre, visto que o estou a ler pela 'enésima' vez, estava aqui ao lado ;p
Não vou tagar ninguém- eu sou mesmo assim.
PS: Quem quiser faça.
PS2: Se alguém fizer, diga qualquer coisa.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Dear Lover...
Arrogante, foi o que achei
De ti quando te vi no fórum
Onde postaste os teus desenhos
Realmente bons e giros.
Ouves isto e ficas chateado, mas
Tudo mudou algum tempo depois
E passaste a fazer parte da minha Vida
Brincando, falando ou simplesmente
Rindo das coisas mais estúpidas.
Um dia tudo mudou,
Nesse dia ficámos mais que amigos,
Ou melhor,
Construímos uma relação forte e
Amorosa que deixou aqui a
Leo muito feliz!
Amo-te,
Palavra forte, mas verdadeira e,
Enquanto lês este texto, eu
Zelo por ti e penso em ti...
De ti quando te vi no fórum
Onde postaste os teus desenhos
Realmente bons e giros.
Ouves isto e ficas chateado, mas
Tudo mudou algum tempo depois
E passaste a fazer parte da minha Vida
Brincando, falando ou simplesmente
Rindo das coisas mais estúpidas.
Um dia tudo mudou,
Nesse dia ficámos mais que amigos,
Ou melhor,
Construímos uma relação forte e
Amorosa que deixou aqui a
Leo muito feliz!
Amo-te,
Palavra forte, mas verdadeira e,
Enquanto lês este texto, eu
Zelo por ti e penso em ti...
domingo, 6 de julho de 2008
Escritores não faltam...
Se há algo que felizmente não falta no Mundo são Escritores. Ou Aspirantes a Escritores. Pessoas que escrevem as suas obras, os seus textos, deixando o leitor descobrir sempre um pouco mais da sua personalidade. Mas afinal, o que é, verdadeiramente, um Escritor? Serei eu uma Escritora? Já me disseram que sim.
Para a maioria das pessoas, Escritor é uma “pessoa que escreve”, ou seja, uma pessoa que pega numa caneta, numa folha de papel e se deixa expressar, em prosa ou poesia, escrevendo histórias fícticias ou não ou até mesmo um retrato dos seus sentimentos. Serão estas pessoas Escritores? O dicionário da Língua Portuguesa não parece concordar. Ao procurar escritor no mesmo, encontro a seguinte definição: “do Lat. Scriptore, s. m., autor de obra literária ou científica.”
Terá uma pessoa de escrever uma obra para ser um Escritor? Não pode ser aquela pessoa que pega numa caneta e escreve uma frase ou duas? Essa pessoa está a escrever, por isso, teoricamente, é um Escritor. Mas depois vem mais uma afirmação: “Um escritor é aquele que escreve bem.” O que é escrever bem, afinal? Será escrever de maneira original? Será escrever de uma maneira que consideramos “Literária”? Gostaria que deixassem a vossa opinião sobre isto, caros leitores.
Depois há aqueles que fazem da escrita a sua profissão. Se no passado era uma profissão honrada que uma pessoa inteligente que soubesse escrever bem (a velha questão) pensaria em tirar, nos tempos actuais é caso de riso e uma “candidatura ao desemprego”. No entanto, os Escritores ainda existem e nunca deixarão de existir, desde os autores das grandes obras à pequena criança do jardim infantil que escreve frases como “O João trancou o Javali na Jaula”.
(gostaria de saber as vossas opiniões para o que é um “Escritor”)
Para a maioria das pessoas, Escritor é uma “pessoa que escreve”, ou seja, uma pessoa que pega numa caneta, numa folha de papel e se deixa expressar, em prosa ou poesia, escrevendo histórias fícticias ou não ou até mesmo um retrato dos seus sentimentos. Serão estas pessoas Escritores? O dicionário da Língua Portuguesa não parece concordar. Ao procurar escritor no mesmo, encontro a seguinte definição: “do Lat. Scriptore, s. m., autor de obra literária ou científica.”
Terá uma pessoa de escrever uma obra para ser um Escritor? Não pode ser aquela pessoa que pega numa caneta e escreve uma frase ou duas? Essa pessoa está a escrever, por isso, teoricamente, é um Escritor. Mas depois vem mais uma afirmação: “Um escritor é aquele que escreve bem.” O que é escrever bem, afinal? Será escrever de maneira original? Será escrever de uma maneira que consideramos “Literária”? Gostaria que deixassem a vossa opinião sobre isto, caros leitores.
Depois há aqueles que fazem da escrita a sua profissão. Se no passado era uma profissão honrada que uma pessoa inteligente que soubesse escrever bem (a velha questão) pensaria em tirar, nos tempos actuais é caso de riso e uma “candidatura ao desemprego”. No entanto, os Escritores ainda existem e nunca deixarão de existir, desde os autores das grandes obras à pequena criança do jardim infantil que escreve frases como “O João trancou o Javali na Jaula”.
(gostaria de saber as vossas opiniões para o que é um “Escritor”)
domingo, 15 de junho de 2008
Rapto
Um parco raio de luz desperta-a. Abre os olhos. Não sabe onde está. Não sabe o que aconteceu. Lembra-se apenas de se encontrar numa festa. Lembra-se de ter captado o olhar de um rapaz atraente. Lembra-se de ele ter vindo falar com ela. Lembra-se até de lhe ter dado um beijo. Mas depois disso apenas reside escuridão. Trevas. Negro.
Onde está? Não sabe. Foca os olhos, para logo a seguir os contrair. Sente algo na cabeça. Uma dor forte e um cheiro persistente a sangue no seu corpo. Tenta levantar as mãos, mas estas encontram-se presas. Só aí percebe que o espaço se assemelha bastante a uma cave abandonada. Está presa a uma cadeira pelos pés e mãos. Quer gritar, mas não consegue, apesar de a boca se encontrar livre de qualquer mordaça. Não, é a sua garganta que está seca.
Naquela cave apenas existe uma janela no topo, por onde passam os raios da madrugada. A cave está quase toda ela deserta: contém apenas um lavatório velho e algo partido e algumas caixas puídas. E muitas teias de aranha, algumas com o próprio animal pendurado.
Sente dores por todo o corpo. Olha e vê-se coberta de sangue, com diversas nódoas negras. E, pior que isso, o seu vestido de festa encontra-se rasgado ao meio e pendurado melancolicamente nos seus braços.
Procurou tomar atenção aos sons. Não ouvia nada excepto a àgua que pingava do lavatório. Gota a gota a cair no chão metálico da cave.
Pling!
Podia suportar.
Pling!
Não a irritava por aí além.
Pling!
Sentiu vontade de refrescar a garganta.
Pling! Pling! Pling!
Não aguentava mais. Queria parar aquele som insistente. Começou a gritar tanto quanto a sua garganta deixava para o lavatório, esperando que este lhe obedecesse. Mas este não lhe obedeceu.
Apoiou os pés com força no chão e sentiu dor ao aterrar, pois o chão encontra-se repleto de vidros partidos. Tinha de desligar aquela torneira, cujas gotas a levavam à loucura. Usou o que restava das suas forças para se levantar, mas só para depois cair exausta. As gotas continuavam a cair e algo mexeu no seu corpo, fazendo-a abanar-se e gritar tanto quanto conseguia. Estava sozinha naquele sítio. Ninguém a podia ajudar.
Perguntou-se onde estaria, enquanto trauteava uma canção conhecida que ouvira a noite anterior. Tentou recordar-se da cara do rapaz. Por mais que tentasse, não conseguia. Sentiu raiva: tinha a certeza de que aquele desconhecido a quem não perguntara o nome se encontrava de alguma maneira relacionado com a sua situação.
E os seus amigos? E os seus familiares? Estariam preocupados com ela?
Pling! Pling! Pling! Pling!
Rangeu os dentes, enquanto abanava a cabeça. Sentiu de novo dor. Agonia.
Desespero.
Solidão.
Ouviu um estrondo atrás de si e voltou a cabeça. Não viu nada, apenas luz. Não conseguiu abrir os olhos para a luz depois das trevas e voltou-se de novo para a frente. Sentiu tal agonia que teve de se inclinar para a frente. Queria vomitar, mas não conseguia. Não tinha nada no estômago.
Agonia.
Ouve o som de uma porta a fechar atrás de si e a cave mergulha de novo no silêncio. Apenas ouve as gotas do lavatório. Ouve passos, mas mantém a cabeça baixa. Os cabelos molhados pelo suor (ou sangue? Não sabe.) cobrem-lhe a cara. Mantém os olhos fechados.
Os passos param diante dela.
- Bom dia!- diz uma voz masculina.
Levanta a cabeça e abre os olhos sob os cabelos lisos colados à cara, enquanto respira com força. Vê um rapaz familiar.
Sim, é o rapaz da festa.
Que faz ele ali?
Mais do que nunca tem a certeza de que foi ele que a raptou. Sente a fúria associar-se ao desespero, como amigos de longa data que se juntam para se fortalecerem mutuamente. Olha com raiva profunda para o rapaz.
- Bem, pequena, diverti-me contigo, mas acabaram de me confirmar algo!- diz o rapaz.
Espera ansiosamente o que o rapaz tinha para dizer.
- De certo que vais apresentar queixa contra mim... e eu não quero isso!
O rapaz aproxima-se e beija-lhe os lábios. Ela não retribui. O rapaz ri-se e leva uma mão ao bolso. Ouve um estalido familiar, que só tinha ouvido em filmes. Depois, sente algo duro a ser pressionado contra a sua cabeça.
- Adeus!- sussurra o rapaz, sorrindo de maneira terna.
Um som ensurdecedor e forte percorre-lhe os ouvidos. Mais do que nunca, a dor na cabeça é forte e latejante. Sem forças, cai para a frente.
Não sabe quem é agora.
Vê, lá no alto, o seu raptor diante do seu corpo, com uma arma na mão e um ar enojado a olhar para ela.
Não sabe o que a espera daí em diante.
Só sabe que foi o fim da sua Vida e que foi ela própria que a arruinou.
Onde está? Não sabe. Foca os olhos, para logo a seguir os contrair. Sente algo na cabeça. Uma dor forte e um cheiro persistente a sangue no seu corpo. Tenta levantar as mãos, mas estas encontram-se presas. Só aí percebe que o espaço se assemelha bastante a uma cave abandonada. Está presa a uma cadeira pelos pés e mãos. Quer gritar, mas não consegue, apesar de a boca se encontrar livre de qualquer mordaça. Não, é a sua garganta que está seca.
Naquela cave apenas existe uma janela no topo, por onde passam os raios da madrugada. A cave está quase toda ela deserta: contém apenas um lavatório velho e algo partido e algumas caixas puídas. E muitas teias de aranha, algumas com o próprio animal pendurado.
Sente dores por todo o corpo. Olha e vê-se coberta de sangue, com diversas nódoas negras. E, pior que isso, o seu vestido de festa encontra-se rasgado ao meio e pendurado melancolicamente nos seus braços.
Procurou tomar atenção aos sons. Não ouvia nada excepto a àgua que pingava do lavatório. Gota a gota a cair no chão metálico da cave.
Pling!
Podia suportar.
Pling!
Não a irritava por aí além.
Pling!
Sentiu vontade de refrescar a garganta.
Pling! Pling! Pling!
Não aguentava mais. Queria parar aquele som insistente. Começou a gritar tanto quanto a sua garganta deixava para o lavatório, esperando que este lhe obedecesse. Mas este não lhe obedeceu.
Apoiou os pés com força no chão e sentiu dor ao aterrar, pois o chão encontra-se repleto de vidros partidos. Tinha de desligar aquela torneira, cujas gotas a levavam à loucura. Usou o que restava das suas forças para se levantar, mas só para depois cair exausta. As gotas continuavam a cair e algo mexeu no seu corpo, fazendo-a abanar-se e gritar tanto quanto conseguia. Estava sozinha naquele sítio. Ninguém a podia ajudar.
Perguntou-se onde estaria, enquanto trauteava uma canção conhecida que ouvira a noite anterior. Tentou recordar-se da cara do rapaz. Por mais que tentasse, não conseguia. Sentiu raiva: tinha a certeza de que aquele desconhecido a quem não perguntara o nome se encontrava de alguma maneira relacionado com a sua situação.
E os seus amigos? E os seus familiares? Estariam preocupados com ela?
Pling! Pling! Pling! Pling!
Rangeu os dentes, enquanto abanava a cabeça. Sentiu de novo dor. Agonia.
Desespero.
Solidão.
Ouviu um estrondo atrás de si e voltou a cabeça. Não viu nada, apenas luz. Não conseguiu abrir os olhos para a luz depois das trevas e voltou-se de novo para a frente. Sentiu tal agonia que teve de se inclinar para a frente. Queria vomitar, mas não conseguia. Não tinha nada no estômago.
Agonia.
Ouve o som de uma porta a fechar atrás de si e a cave mergulha de novo no silêncio. Apenas ouve as gotas do lavatório. Ouve passos, mas mantém a cabeça baixa. Os cabelos molhados pelo suor (ou sangue? Não sabe.) cobrem-lhe a cara. Mantém os olhos fechados.
Os passos param diante dela.
- Bom dia!- diz uma voz masculina.
Levanta a cabeça e abre os olhos sob os cabelos lisos colados à cara, enquanto respira com força. Vê um rapaz familiar.
Sim, é o rapaz da festa.
Que faz ele ali?
Mais do que nunca tem a certeza de que foi ele que a raptou. Sente a fúria associar-se ao desespero, como amigos de longa data que se juntam para se fortalecerem mutuamente. Olha com raiva profunda para o rapaz.
- Bem, pequena, diverti-me contigo, mas acabaram de me confirmar algo!- diz o rapaz.
Espera ansiosamente o que o rapaz tinha para dizer.
- De certo que vais apresentar queixa contra mim... e eu não quero isso!
O rapaz aproxima-se e beija-lhe os lábios. Ela não retribui. O rapaz ri-se e leva uma mão ao bolso. Ouve um estalido familiar, que só tinha ouvido em filmes. Depois, sente algo duro a ser pressionado contra a sua cabeça.
- Adeus!- sussurra o rapaz, sorrindo de maneira terna.
Um som ensurdecedor e forte percorre-lhe os ouvidos. Mais do que nunca, a dor na cabeça é forte e latejante. Sem forças, cai para a frente.
Não sabe quem é agora.
Vê, lá no alto, o seu raptor diante do seu corpo, com uma arma na mão e um ar enojado a olhar para ela.
Não sabe o que a espera daí em diante.
Só sabe que foi o fim da sua Vida e que foi ela própria que a arruinou.
